Pesquisa aponta que perdas no varejo brasileiro cresceram 7% em 2018

Levantamento com 12 diferentes setores mostra que as perdas no ano passado chegaram à casa de aproximadamente R$ 21,5 bilhões

Se as vendas de itens nas gôndolas empacam por algum determinado motivo, unidades localizadas no estoque serão, muito provavelmente, desperdiçadas. Intimamente ligado à compreensão do comportamento de demanda dos consumidores, a prevenção de perdas continua sendo um enorme desafio para qualquer empresa do setor de varejo.

É o que apresentou a pesquisa conduzida por Carlos Eduardo Santos, presidente da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), em parceria com a consultoria EY, que foi apresentada durante o 2º Fórum Abrappe de Prevenção de Perdas. O estudo levou em conta 12 diferentes segmentos do varejo brasileiro – Atacados e Atacarejos; Calçados; Construção/Lar; Drogarias; Eletro/Móveis; Esportes; Livrarias/Papelarias; Lojas de Departamento; Magazines; Moda; Perfumarias; e Supermercados.

O levantamento revelou dados surpreendentes: em 2018, a perda média (perda de estoque valorizada pelo custo sobre a venda líquida) representou 1,38% do faturamento líquido do varejo restrito, ou seja, um aumento de 7% em relação ao ano superior. Em dados absolutos, isso representa perdas de aproximadamente R$ 21,5 bilhões em todo o varejo nacional. O ano de 2018 contrastou com os três anos anteriores, uma vez que o índice de perda vinha reduzindo gradualmente – um dos grandes motivos talvez tenha sido o cenário de otimismo econômico, com maiores investimentos feitos pelo mercado no ano passado.

A estratégia de prevenção de perdas é relativamente nova no Brasil, chegando aqui nos anos 90, impulsionada pelas indústrias e redes varejistas europeias e norte-americanas. Ainda assim, é importante ressaltar que há formas de combater as perdas no varejo, mesclando o chamado “PPT” (Pessoas, Processos e Tecnologias). A operação de estoque precisa de um controle integrado e de processos estruturados.

O acompanhamento do volume de compras é fundamental também, uma vez que grande parte da perda do estoque está ligada à baixa ou, ainda pior, à falta de procura dos consumidores. Neste caso, bons profissionais, que encontram possíveis gaps nas lojas, fazem a diferença, por compreender de fato a cultura da empresa em que atuam. Com o espírito colaborativo, eles ajudam a identificar embalagens inadequadas e falhas na reposição de produtos, reduzindo as chamadas perdas comerciais.

 

O outro lado da moeda

Se as perdas aumentaram consideravelmente, por outro lado, a pesquisa mostrou o aumento na aplicação de tecnologias e/ou contratação de terceiros para prevenir casos de perdas, o que representa uma excelente notícia para todo o mercado. A surpresa é positiva, pois mostra que as organizações buscam seguir o que há de mais inovador no mercado para evitarem rupturas e perdas.

O perfil dos consumidores está mudando rapidamente e os varejistas não poderiam ficar para trás. Cada vez mais interligados ao imediatismo, os consumidores aguardarão uma experiência praticamente perfeita, experimentando compras interativas, em especial. Por este motivo, os varejistas precisarão de ferramentas para uma análise preditiva.

A cadeia de abastecimento é outro ponto primordial para a mudança de patamar. De acordo com um estudo conduzido pela consultoria Cognizant, cerca de 46% dos transportadores e 81% dos provedores de serviços logísticos creem que a colaboração com outras organizações, clientes e, eventualmente, concorrentes, podem resultar em uma experiência mais favorável para o consumidor, além de reduzir custos em toda a cadeia.

Os consumidores viverão em um mundo hiperconectado, desejarão o produto naquele determinado momento e não aceitarão “não” como resposta. Os varejistas precisarão aplicar ferramentas de Inteligência Artificial que os tornem eficientes e que automatizem seus sistemas de cadeia de abastecimento, estoques, logística, gestão de frota, entre outros.

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